Diversas vezes, somos questionados pelos clientes a respeito do dilema da alocação em renda variável local: “faz sentido investir em fundos e pagar a famosa taxa 2 com 20? Uma alocação diretamente em ações ou no próprio índice não seria mais eficiente?”.

De certa forma, sim. Quando analisamos o mercado americano e o S&P como benchmark, altamente diversificado e desenvolvido, estudado por analistas do mundo inteiro e com informações disponíveis em tempo real, vemos que existe uma dificuldade enorme da gestão ativa superar seus índices de referência.

Fonte: Bloomberg e Luiz Felippo (Nord Fundos)

Já no mercado local, a história é bem diferente. Temos um índice (Ibovespa) muito concentrado, com 1/3 composto por empresas de commodities, 1/3 empresas domésticas e 1/3 bancos, aproximadamente. Além disso, existe uma assimetria de informações muito grande e um mercado de ETFs incipiente.

Para corroborar com nossa preferência por alocação em gestores ativos no mercado local, resolvemos montar um exercício para entender se a alocação em gestores capacitados, mesmo com as taxas representativas, traria maior eficiência ao portfólio.

Utilizamos como parâmetro para a gestão ativa o índice IQT (Índice Quantum Tipo), composto por Fundos de Investimento em Ações (FIAs).

Desde o início, entre os últimos 5 anos e 2012 a 2016, os fundos ativos superaram o desempenho do Ibovespa, inclusive nos momentos de maior volatilidade e instabilidade política/fiscal, como ocorrido entre 2012 e 2016.

Desempenho IQT vs Ibovespa entre 2012-2016
Desempenho IQT vs Ibovespa desde o início do índice

Nos últimos 5 anos, os fundos ativos superaram o Ibovespa em aproximadamente 2 vezes, entregando uma performance de 86,1% vs 61,9% do Ibovespa, com uma volatilidade menor (23% IQT vs. 27% Ibov).

Desempenho IQT vs Ibovespa nos últimos 5 anos

Dessa forma, mesmo que os gestores mais experientes passem por dificuldades, períodos voláteis e negativos no curto prazo, no longo prazo, a alocação em bons gestores se prova eficiente nos portfólios locais. Diferentemente de países mais desenvolvidos com índices líquidos e diversificados, a gestão ativa no Brasil funciona e complementa muito bem a parcela de alocação em renda variável.