Talvez este seja um dos questionamentos que mais recebemos de nossos clientes, principalmente após uma forte desvalorização de nossa moeda pós-pandemia: “devo investir nas alternativas internacionais recomendadas com o dólar neste patamar ou seria melhor esperar uma correção no câmbio?”.

Primeiramente, é de extrema importância ressaltar que não conseguimos de forma alguma prever o movimento do câmbio e, conhecidamente, essa é a melhor forma de trazer humildade aos economistas que fazem projeções. Trajetória de câmbio possui inúmeras variáveis com grande complexidade de previsão.

Mas não podemos descartar o fato de que o dólar nos patamares de 5,50 após a forte depreciação do real não nos deixa confortável para montar integralmente uma posição do zero.

Como forma de trazer maior conforto para os nossos clientes e entendermos se há impacto em esperar pelo melhor momento, fizemos um exercício de alocação considerando os últimos 10 anos de S&P e Dólar.

Nesse exercício, admitimos que um investidor teria disponibilidade para alocar mensalmente R$ 1.000 em alternativas internacionais e dividimos em algumas estratégias:

A primeira estratégia consiste em assumir que o investidor conseguiria ilusoriamente prever todos os melhores momentos para entrada nos ativos internacionais, algo notoriamente impossível. Com isso, faria os aportes nesses momentos através do S&P dolarizado (por exemplo em IVVB11). Enquanto o melhor momento não acontece, os R$ 1.000 disponíveis mensalmente são acumulados e o aporte é feito com o saldo acumulado.

Performance do Dólar frente ao Real nos últimos 10 anos, com marcações nos melhores momentos de entrada
Saldo acumulado para aportes VS Rentabilidade acumulada comprando na baixa

Os resultados dessa primeira estratégia são evidentemente positivos. Com R$ 130.000 em aportes nos melhores momentos do dólar, o investidor conseguiu atingir o patamar de R$ 479.000 e multiplicar seu patrimônio por quase 4x.

Mas e se ao invés de acertar a melhor janela do câmbio o investidor tivesse investido periodicamente no mesmo veículo?

A segunda estratégia analisada consiste em aportes periódicos (mensal, semestral e anual) através do mesmo veículo, o S&P dolarizado (por exemplo em IVVB11).

Rentabilidade das aplicações no período mensal VS semestral VS anual VS comprando na baixa

Apesar de acreditarmos que acertar o melhor momento do câmbio é necessário para termos os melhores resultados, vemos que o melhor investidor foi aquele que mensalmente fez aportes e pôde aproveitar as diferentes janelas de câmbio sempre exposto ao ativo final, o S&P.