De ponta cabeça

Cesar Crivelli 08/05/2021 13:00 2 min Atualizado em: 10/05/2021 13:39
De ponta cabeça

Positivo e negativo

Ontem, tivemos a divulgação de um dos indicadores econômicos mais importantes nos Estados Unidos, que mede a criação de postos de trabalho. Foi um balde de água fria nos economistas e investidores que acreditam em uma recuperação econômica mais forte por meio da criação de empregos em vez de estímulos monetários.

No mês de abril, os Estados Unidos criaram 266 mil postos de trabalho, enquanto o mercado acreditava que o indicador viria perto de 1 milhão. Além disso, o número de fevereiro foi revisado de 916 mil vagas para 770 mil, o que também não agradou.

Já para o “Sr. Mercado” – quem seria ele? – a notícia foi boa. O entendimento é que, por conta de um mercado de trabalho fraco, o Banco Central do país seguirá estimulando a economia, mantendo a taxa de juros próxima de zero por um longo tempo. Além disso, os que fazem parte desse grupo também acreditam que o presidente Joe Biden lançará mão de mais alguns trilhões de dólares em pacotes buscando a rápida recuperação econômica no país.

Charge de @ramireztoons mostra um avião jogando dinheiro com os dizeres: "UNITED STATES OF AMERICA – There is no problem we can't solve by throwing money at it... other people's money."

Em tempos normais

Em tempos normais, um mercado de trabalho debilitado levaria o mercado a acreditar em uma economia arrefecida, impactando negativamente os lucros das empresas, ao menos no curto prazo, até que a roda começasse a girar novamente. Em um primeiro momento, isso teria um efeito negativo no mercado de ações.

Mas não estamos em tempos normais. Com um mercado de trabalho fraco, o “Sr. Mercado” acredita que mais estímulos – monetários e/ou fiscais – são necessários para reviver a combalida economia, que até não parece tão ruim assim.

A cada dia, tudo se torna um motivo para que a intervenção na economia, por parte do governo, seja maior. Não há mais um “deixe as coisas se ajeitarem sozinhas”. Estamos nesta tocada desde a crise de 2008. Se a notícia é ruim, o mercado de ações sobe porque novos estímulos serão necessários para recuperar a economia. Se a notícia é boa, o mercado de ações sobe por conta do otimismo em relação ao futuro.

Independentemente do que acontece, o mercado de ações nos Estados Unidos sobe. Todos os principais índices acionários do país atingem novos recordes, dia após dia. Mesmo diante de uma forte recuperação econômica, as expectativas embutidas nos preços de muitas ações são extremamente altas.

Talvez, se colonizarmos Marte, as empresas possam crescer suas receitas, margens e lucros da maneira como o “Sr. Mercado” espera. Há alguns dias me parece que tudo está de ponta cabeça… é esperar para ver o que acontece.

Até semana que vem!

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