O primeiro semestre do ano chegou ao fim, mas até parece que foi ontem que estávamos fazendo a passagem de ano. Entre os infinitos eventos desse semestre, um que certamente marcou o cenário global foi o processo de vacinação.

De forma geral, o mundo desenvolvido saiu na frente nesse processo, com diversos países conseguindo imunizar entre 50 e 65% da sua população. Onde a vacinação pegou tração, a consequência natural foi a recuperação das economias. Vimos isso ocorrer na China, depois nos Estados Unidos e agora na Europa.

Gráfico à esquerda: % da população vacinada no mundo.
Gráfico à direita: PMI (proxy do PIB) em países desenvolvidos.
Fonte: Bloomberg

Com a reabertura das economias, naturalmente vimos uma recomposição de demanda por diversos bens que havia sido represada.

Não tem jeito, no momento que colocamos um excesso de demanda em um mercado com restrições de oferta, a combinação só pode ser uma: a elevação bastante intensa dos preços.

Vimos esse processo acontecer no mercado de commodities, com altas generalizadas em produtos agrícolas, metais ou energia.

Gráfico à esquerda: alta de preços de commodities. Gráfico à direita: alta das ações de commodities versus Ibovespa jan/21 = 100.
Fonte: Bloomberg e Economatica

Essa alta de preços de commodities permitiu a quem as exporta uma evolução muito boa, trazendo resultados incríveis às exportadoras nos últimos 6 meses. Não à toa, ainda que o Ibovespa tenha registrado uma alta de 6 por cento no semestre, o setor em média subiu quase quatro vezes isso.

Investidores e gestores que estavam fora do setor – por não gostarem ou por simplesmente estarem céticos sobre o ciclo – tiveram dificuldades de superar o índice no período.

Talvez a história do segundo semestre possa ser um pouco diferente.

A história do segundo semestre

Ainda que a história do primeiro semestre tenha sido de commodities, a dos próximos 6 meses pode ter uma outra cara.

Aos trancos e barrancos, estamos conseguindo evoluir no controle da pandemia. Com regras mais claras sobre quem vacinar e um estoque maior de doses, estamos conseguindo evoluir na velocidade de vacinação.

A evolução da imunização afasta (um pouco mais) maiores possibilidades de regredir para o lockdown, pavimentando um caminho para a reabertura. Foi assim que ocorreu na Europa e nos Estados Unidos, com o setor de serviços (e varejo) liderando a recuperação se formando.

Aqui, devemos ver uma dinâmica similar. A tendência é que, assim como esses países tiveram ótimos resultados para o PIB conforme controlaram a pandemia, devemos colher esse momento também mais à frente.

Já vemos alguns sinais de que esse fenômeno está acontecendo, com dados de varejo bastante acima do esperado. Porém, há motivos adicionais para continuarmos otimistas.

Um dos pontos bem interessantes é o nível da poupança das famílias ainda em valores extremamente altos. Essa poupança foi feita em um momento de incerteza, bem como pela própria restrição de consumo a algumas categorias (turismo, restaurantes e serviços em geral).

Gráfico apresenta taxa de poupança doméstica – média móvel de 4 trimestres.
Fonte: Safari Capital

Conforme a vacinação evolui, a reabertura se consolida e a incerteza diminui, devemos ver esse nível de poupança precaucionária se reduzir. O dinheiro, claro, deve ir em parte para as nossas saudosas varejistas.

É, meus caros, o segundo semestre tem tudo para ser a história do varejo. A questão é: qual vai ser a sua história?

Qual vai ser a sua história?

Acho que todos os astros têm se alinhado para um momento de evolução do varejo mais contundente no segundo semestre.

A questão é que, dentro dessa história, há muitos capítulos. Entender os cenários nos ajuda a entender para onde olhar, mas há um segundo passo importante que é saber “o que comprar”.

Há inúmeras ações para aproveitar essa retomada da economia. Algumas têm grande potencial, mas o mercado já vem pagando na largada por todo esse crescimento. Outras até possuem valuations atrativos, mas não serão as vencedoras desse processo.

Saber escolher as ações que você terá fará toda a diferença no resultado da carteira. Pessoalmente, eu deixo essa seleção para gestores profissionais que escolho a dedo na série Nord Fundos.

Se você prefere fazer suas próprias escolhas, indico a série Investidor de Valor do Bruce.

Seja como for, essa história deveria ser compartilhada.

Um abraço,